Repórter Alexandre Cabral, do programa Meu MS, acompanha nesta quarta-feira (2) a tradição que atravessa gerações e se prepara para levar a cultura de Mato Grosso do Sul a Portugal

O som da viola, as palmas e o sapateado que atravessam gerações em Camapuã ganharam, nesta quarta-feira (3), as câmeras da TV Morena. O repórter Alexandre Cabral, do programa Meu MS, esteve no município para conhecer e registrar a história da Catira, manifestação cultural mantida por famílias da cidade e que, em setembro, terá um capítulo internacional ao representar Mato Grosso do Sul em Portugal. À reportagem, Girsel da Viola, que está à frente do projeto, contou detalhes dessa trajetória e da preparação para levar a tradição ao continente europeu.
Mais do que uma dança, a Catira de Camapuã representa memória, identidade e pertencimento. A tradição foi sendo transmitida dentro das famílias, passando por diferentes gerações e preservando costumes, modas de viola, palmas e o característico sapateado. Entre as referências dessa história está Seu Pedro Quelemente, uma das figuras mais antigas ligadas à tradição, cuja herança cultural chegou a gerações seguintes, como Carlito Quelemente, e hoje também é ensinada a crianças e adolescentes. Grupos como As Donzelinhas mostram que a Catira segue encontrando novas gerações dispostas a aprender e manter viva essa manifestação.
Durante a passagem da equipe da TV Morena por Camapuã, foram registrados ensaios, apresentações, depoimentos e momentos que revelam justamente esse encontro entre passado e futuro. A reportagem de Alexandre Cabral busca mostrar não apenas a beleza da apresentação, mas principalmente as histórias por trás de cada palma, cada batida dos pés e cada toque da viola. Para Girsel da Viola, responsável por conduzir o projeto, preservar a Catira significa garantir que os ensinamentos recebidos dos mais antigos continuem chegando às crianças e aos jovens.
E essa história está prestes a atravessar o Atlântico. Representantes da cultura de Camapuã se preparam para viajar a Braga, em Portugal, onde participarão do 7º Dia do Brasil em Portugal, levando ao público europeu a Catira, a viola caipira e elementos da identidade cultural sul-mato-grossense. A comitiva conta com Girsel da Viola, Carlito Quelemente e Jorge de Carvalho, além de Ariane Rodrigues, responsável pela elaboração do projeto. A apresentação está prevista para o dia 12 de setembro, no Parque da Ponte, em Braga, em uma oportunidade de apresentar ao exterior uma tradição que nasceu e permanece viva no interior do Brasil.
Para Gircel da Viola, a participação internacional representa muito mais do que uma apresentação artística. É a oportunidade de levar consigo a história de todos aqueles que ajudaram a preservar a Catira ao longo dos anos. Quando o grupo chegar a Portugal, estarão simbolicamente presentes os mestres, pais, avós, filhos, netos e bisnetos que mantiveram essa cultura viva em Camapuã. Agora, a tradição que começou entre famílias, violas e encontros comunitários ganha novos horizontes e mostra que a cultura popular de Mato Grosso do Sul pode ultrapassar fronteiras sem perder suas raízes.