Tentativa de fraude envolveu contato por mensagens, uso de intermediários e oferta de preço abaixo do mercado; caso serve de alerta a outros pecuaristas da região

Um produtor rural de Camapuã quase foi vítima de um golpe durante uma negociação de venda de gado registrada recentemente no município. A situação levantou um importante sinal de alerta para outros pecuaristas da região, principalmente sobre abordagens feitas exclusivamente por mensagens, uso de intermediários e informações detalhadas sobre os animais sem contato prévio direto.
Segundo relato da esposa do produtor, o suposto comprador entrou em contato afirmando ter interesse na compra do gado e demonstrou conhecer detalhes como quantidade de animais disponíveis:
“Ele sabia exatamente quantas cabeças tinham para venda, o que chamou atenção desde o começo”, contou. O contato aconteceu dias antes de uma data combinada para a negociação presencial, que acabou sendo adiada algumas vezes.
Durante as conversas, o comprador evitou ligações telefônicas e manteve contato apenas por mensagens. Em determinado momento, informou que estaria em Camapuã, mas que não poderia ir até a propriedade e que enviaria um corretor conhecido da família para avaliar os animais. “Quando ele disse que estava na cidade, mas não apareceu, o comportamento levantou desconfiança”, relatou.

Ao conversar diretamente com o corretor indicado, o produtor percebeu inconsistências na história. O intermediário afirmou ter recebido informações diferentes sobre a propriedade e sobre quem seria o verdadeiro dono do gado:
“Ali ficou claro que havia algo errado. As versões não batiam”, disse a familiar. A negociação foi interrompida antes que qualquer valor fosse transferido.
De acordo com os relatos, o golpe teria como estratégia oferecer o gado a um terceiro por um valor abaixo do mercado, orientando o pagamento antecipado, enquanto o verdadeiro proprietário não entregaria os animais por não ter recebido. “Se a pessoa paga achando que o gado é de alguém que não é o dono, o prejuízo é certo”, alertou.
Casos semelhantes já teriam ocorrido outras vezes na mesma propriedade ao longo do último ano, o que reforça o alerta. A orientação é que produtores e compradores redobrem a atenção, confirmem pessoalmente a identidade das partes envolvidas, desconfiem de preços muito abaixo do mercado e evitem negociações feitas apenas por mensagens:
“A gente resolveu tornar isso público justamente para que outros não caiam nesse tipo de armadilha”, concluiu.