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Mato Grosso do Sul registra aumento de 32,6% nos homicídios e já supera todo o ano de 2025

Estado contabilizou 431 mortes violentas entre janeiro e outubro de 2026, número superior às 402 registradas durante os 12 meses do ano passado; disputa entre facções e tráfico de drogas estão entre os fatores apontados por especialista

Corpo de homem assassinado em frente ao Presídio da Gameleira, em setembro do ano passado (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

 

Mato Grosso do Sul já ultrapassou, antes mesmo do encerramento de 2026, o total de homicídios registrados em todo o ano passado. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que, até 31 de outubro, foram contabilizadas 431 mortes no Estado, contra 402 ao longo de 2025.

A comparação entre os mesmos períodos também revela um crescimento expressivo da violência. Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 325 homicídios. Neste ano, o número chegou a 431, representando 106 vítimas a mais e uma alta de 32,6%.

Para o professor de Direito da Uniderp, Rafael Sampaio, o aumento acende um alerta e pode estar relacionado a confrontos entre organizações criminosas, disputas por territórios, chacinas e trocas de tiros envolvendo policiais e integrantes de facções. Segundo ele, uma elevação tão significativa em um período relativamente curto exige uma análise detalhada das circunstâncias dos crimes.

A localização geográfica de Mato Grosso do Sul também aparece como um fator importante para compreender o cenário. O Estado faz fronteira com Paraguai e Bolívia e possui extensas áreas de fronteira seca, características que favorecem a circulação de drogas e a atuação de organizações criminosas. Em municípios utilizados como rotas do tráfico, disputas pelo controle territorial podem resultar em confrontos e execuções.

O especialista ressalta, entretanto, que nem todos os homicídios estão relacionados ao crime organizado. Brigas, conflitos familiares, desentendimentos entre vizinhos e situações de violência por impulso também estão entre as causas das mortes. Por isso, a análise precisa considerar os locais, horários, características das vítimas e a maneira como cada crime foi cometido.

Outro ponto destacado é a quantidade de vítimas por ocorrência. Chacinas, vinganças e crimes relacionados à chamada queima de arquivo podem provocar várias mortes em um único episódio, elevando significativamente as estatísticas. Para o professor, é necessário identificar se houve aumento no número de ocorrências ou se determinados episódios concentraram mais vítimas.

Rafael Sampaio também demonstra preocupação com a estrutura de segurança pública nos municípios do interior. Enquanto Campo Grande conta com um contingente policial maior, cidades menores podem ter equipes reduzidas, mesmo estando em regiões estratégicas para a atuação de organizações criminosas. O comportamento dos homicídios nos últimos meses do ano será importante para avaliar se a tendência de crescimento continuará.

O especialista alerta ainda para o risco de expansão das facções criminosas no território sul-mato-grossense. Segundo ele, a combinação entre rotas internacionais do tráfico, disputas territoriais e menor presença policial em determinadas localidades pode facilitar a instalação e o fortalecimento desses grupos. Ele defende que as estratégias de segurança considerem as diferentes causas dos homicídios, com ações específicas para cada realidade.

Em resposta à reportagem, a Sejusp informou que o enfrentamento aos homicídios e ao crime organizado é uma prioridade permanente. A secretaria destacou que cada morte é investigada individualmente e que as forças de segurança atuam com inteligência, policiamento direcionado, investigação criminal e integração entre instituições. A pasta também ressaltou as operações realizadas nas regiões de fronteira e os investimentos destinados ao fortalecimento das forças policiais, com o objetivo de desarticular organizações criminosas, responsabilizar os envolvidos e preservar vidas em Mato Grosso do Sul.

Fonte: Campo Grande News

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