Justiça também fixou indenização mínima de R$ 100 mil; dois filhos da vítima foram os primeiros de MS a obter pensão especial para órfãos de feminicídio

José Cliverson Soares da Silva foi condenado a 45 anos e 11 meses de prisão pelo feminicídio de Salvadora Pereira, de 22 anos, ocorrido na região do Passo do Lontra, em Corumbá (MS). O julgamento acolheu integralmente a tese apresentada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que apontou a prática do crime em contexto de violência doméstica e familiar, na presença dos filhos da vítima e com recurso que dificultou sua defesa.
Pelo feminicídio, o condenado recebeu pena de 44 anos e 11 meses de reclusão. Já pela posse irregular de arma de fogo, foi sentenciado a mais um ano de detenção. A Justiça determinou o cumprimento imediato da pena em regime inicial fechado e fixou indenização mínima de R$ 100 mil aos sucessores de Salvadora.
O caso também é acompanhado pelo Projeto Acolhida, desenvolvido pelo MPMS em Corumbá para oferecer proteção e acompanhamento às vítimas indiretas de feminicídio. Os dois filhos de Salvadora se tornaram os primeiros de Mato Grosso do Sul a conseguir administrativamente a pensão especial destinada a órfãos de feminicídio, prevista na Lei Federal nº 14.717/2023.
Salvadora foi morta na noite de 2 de agosto de 2025, em uma propriedade rural de Corumbá. Conforme informações divulgadas na época, ela foi atingida por um disparo no rosto, na região do queixo, efetuado pelo companheiro após uma discussão enquanto os dois consumiam bebidas alcoólicas. José Cliverson foi preso em flagrante e confessou o crime aos policiais. O corpo da vítima foi encontrado sobre uma cama, próximo a um revólver calibre .22 com uma munição deflagrada.
No momento do crime, cinco crianças, com idades entre 2 e 8 anos, estavam na residência. Três eram filhos do condenado e duas eram filhos de Salvadora. A criança mais velha, de 8 anos, telefonou para uma tia e contou o que havia acontecido. As crianças foram retiradas do local e encaminhadas para atendimento e proteção. Na época, Salvadora foi registrada como a 21ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul em 2025.