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‘Delegado de elite’ que combatia tráfico é preso suspeito de desviar cocaína para facção usando cargo em MS

Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa foi preso na Operação ‘Infiltrados’, que investiga desvio de drogas apreendidas por policiais em Campo Grande, Dourados e Terenos

Delegado da Polícia Civil, Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa. — Foto: Adepol MS

 

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (24) e foi preso durante a Operação “Infiltrados”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Segundo a investigação, o delegado é suspeito de utilizar a função pública para desviar drogas apreendidas em ocorrências policiais e repassá-las a uma organização criminosa.

Hoffman chegou à sede da Corregedoria por volta das 17h, acompanhado do advogado. Outros dois policiais investigados também se apresentaram e permanecerão presos.

Antes de ser transferido para a 6ª Delegacia, em junho deste ano, Hoffman foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e do Grupo de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Ele deixou o comando do Garras antes de assumir a 6ª Delegacia.

O advogado Amilton Ferreira de Almeida confirmou que o delegado não estava em casa no momento do cumprimento dos mandados na residência.

A defesa informou que pretende ingressar com um pedido de revogação da prisão na Justiça na próxima segunda-feira (28).

Operação investiga desvio de drogas

A Operação “Infiltrados” investiga um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais.

Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Até o momento, foram confirmadas as prisões de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Os mandados continuam sendo cumpridos e o número de presos pode aumentar.

Histórico do delegado

Ao longo de 12 anos de carreira, Hoffman passou por delegacias de Costa Rica e Campo Grande, atuou no combate ao tráfico de drogas e chegou a comandar o Garras.

Em 2014, Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa ingressou na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul como delegado. Antes disso, trabalhou durante cinco anos como escrivão de polícia em Goiânia, Goiás.

Entre 2014 e 2019, atuou em Costa Rica e na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Piratininga, em Campo Grande.

De 2019 até fevereiro de 2026, passou a atuar na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), unidade responsável por investigações relacionadas ao tráfico de drogas. Ele chegou a assumir a titularidade da delegacia.

Em 10 de fevereiro de 2026, foi designado para assumir o comando do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), em Campo Grande.

Em junho de 2026, deixou o comando do Garras e foi transferido para a 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

Já em 24 de setembro de 2026, tornou-se alvo da Operação “Infiltrados”, com mandado de prisão preventiva e de busca e apreensão, em uma investigação que apura a suspeita de participação de policiais em um esquema de desvio de drogas.

Civis também são investigados

Entre os presos estão os civis Weslei Benítez, Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, Kayon Lucas Leodoro da Silva e Heberti Barbosa.

A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda busca esclarecer o motivo pelo qual ele foi incluído na investigação. Segundo o advogado, Weslei era amigo próximo de Kayon e, como ele já havia sido preso anteriormente, a relação entre os dois teria motivado a inclusão de Weslei no caso.

A defesa também afirmou que Weslei não possui relação com os policiais presos durante a operação.

A defesa de Heberti informou que ainda não teve acesso aos documentos do processo e, por isso, não possui detalhes sobre a investigação. A defesa de Kayon não havia se manifestado até a publicação das informações.

Presos confirmados

Entre os investigados estão:

Nelson Ricardo Barros de Oliveira — policial civil. A defesa aguarda acesso aos autos para se manifestar.

Matheus Gabriel Machado Bezerra — empresário. A defesa também aguarda acesso aos autos para se manifestar.

Douglas Tobias — policial civil.

Neverson Vieira de Araújo — policial civil.

Augusto Torres Galvão Florindo — foi preso em flagrante em 28 de novembro de 2025 ao receber R$ 130 mil em espécie como pagamento por mercadorias que, segundo a investigação, teriam sido desviadas por ele do Garras.

Roberto Palmeira da Silva — policial civil. Possui mandado de prisão, mas não havia sido localizado. A defesa informou que ele deveria se apresentar ainda nesta quinta-feira.

Weslei Benítez — apontado como amigo próximo de LK. A defesa nega qualquer envolvimento com os crimes investigados.

Heberti Barbosa — a defesa informou que ainda não teve acesso aos detalhes da investigação.

Kayon Lucas Leodoro da Silva — é investigado por um atentado que deixou cinco pessoas feridas no Portal Caiobá. Ele era monitorado por tornozeleira eletrônica e agora está preso.

Investigação começou em 2025

As investigações tiveram início em outubro de 2025, a partir de provas obtidas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína.

Conforme o MPMS, os agentes investigados utilizavam as funções públicas para desviar entorpecentes apreendidos em ocorrências policiais.

A investigação aponta que o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte das drogas nos registros oficiais ou pela retirada dos entorpecentes diretamente dos depósitos das delegacias.

Ainda segundo o Ministério Público, a droga desviada era repassada a traficantes ligados a uma organização criminosa, que posteriormente colocava os entorpecentes novamente no mercado ilegal.

Sejusp afirma que servidores já eram investigados

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que os servidores das forças de segurança envolvidos na operação já eram investigados pelas respectivas corregedorias por tráfico de drogas e outros crimes.

Segundo a secretaria, três dos servidores já haviam sido presos anteriormente e um deles havia sido exonerado recentemente.

A Sejusp declarou que não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas por parte de integrantes das forças de segurança e afirmou que eventuais irregularidades serão apuradas com rigor, respeitando a legislação, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.

A secretaria também reafirmou o compromisso com a legalidade, a transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições de segurança pública de Mato Grosso do Sul.

Operação reúne forças de segurança

A Operação “Infiltrados” conta com o apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha diligências realizadas na residência de uma advogada.

De acordo com o MPMS, o nome da operação faz referência à suspeita de presença de integrantes de uma organização criminosa dentro de órgãos de segurança pública, utilizando funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados.

As investigações continuam para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos e dimensionar a extensão do suposto esquema de desvio de drogas.

Fonte: G1

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