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Da graduação no Paraguai ao Revalida: médica relata desafios para conquistar o direito de atuar no Brasil

Ana Vitória Matheus da Silva, de 28 anos, concluiu Medicina no país vizinho e levou cerca de um ano e meio entre a primeira tentativa no Revalida e a obtenção do registro provisório no Brasil

Imagem Ilustrativa

 

Para muitos brasileiros, cursar Medicina no Paraguai aparece como uma alternativa diante dos altos custos das universidades particulares no Brasil. Entretanto, a escolha envolve desafios que vão além da graduação, como adaptação a outro idioma e cultura e, posteriormente, a necessidade de validar o diploma para exercer a profissão em território brasileiro.

A médica Ana Vitória Matheus da Silva, de 28 anos, conhece esse caminho de perto. Natural de Várzea Grande, em Mato Grosso, ela se formou em Medicina pela Universidad Central del Paraguay (UCP), atualmente denominada Universidad Interamericana, e concluiu uma pós-graduação em Nutrologia pela Universidade de São Paulo (USP).

Morando atualmente em Dourados, Ana passou pelo Revalida entre 2025 e 2026. Depois de ser aprovada nas etapas do exame, iniciou em agosto o processo para obter o CRM provisório. O registro foi emitido no dia 25 daquele mês, permitindo que ela começasse a trabalhar na cidade sul-mato-grossense. Entre a primeira tentativa no exame e a obtenção do registro, foram aproximadamente 18 meses.

Preparação começou ainda na faculdade

Ana conta que começou a se preparar para o Revalida ainda no quarto ano da graduação. Para ela, antecipar os estudos foi fundamental para diminuir o receio provocado pela avaliação, que considera difícil, mas possível de ser superada com preparação.

O exame é dividido em duas fases. A primeira é uma prova teórica, enquanto a segunda possui caráter prático e é composta por 10 estações, sendo cinco realizadas em cada dia. Em cada estação, o candidato dispõe de 10 minutos para demonstrar seus conhecimentos e a maneira como conduziria uma situação médica.

Na primeira etapa, Ana utilizou aulas preparatórias, questionários e provas anteriores. Ela também simulava as condições do exame, controlando o tempo e deixando de lado celular e anotações para reproduzir, da maneira mais próxima possível, o ambiente da avaliação.

A médica chegou a realizar a primeira fase em março de 2025, mas não conseguiu a aprovação por uma diferença de cinco pontos. Naquele período, conciliava os estudos com o trabalho e a construção da casa onde mora com o noivo. Mesmo com o resultado negativo, ela considera que a experiência serviu para conhecer melhor a dinâmica da prova.

Na segunda tentativa, realizada em outubro de 2025, conseguiu avançar para a etapa prática, feita em maio de 2026. Para essa fase, conta que produziu mais de mil checklists e intensificou a preparação para procedimentos, raciocínio clínico e atendimento ao paciente.

Espera pelo resultado foi um dos maiores desafios

Entre as dificuldades enfrentadas durante o processo, Ana aponta a demora entre as etapas e a divulgação dos resultados como uma das partes mais desgastantes. Depois da segunda fase, realizada em maio, o resultado preliminar só foi divulgado no fim de julho. O resultado definitivo para candidatos que recorreram foi publicado em 4 de setembro.

Segundo ela, a espera prolongada gera ansiedade porque deixa os candidatos sem saber qual será o próximo passo profissional, como continuar estudando para o exame, iniciar uma preparação para residência ou investir em uma pós-graduação.

Apesar das dificuldades, Ana conseguiu concluir o processo e atualmente trabalha em um consultório em Dourados.

Custo da graduação levou Ana ao Paraguai

A possibilidade de cursar Medicina com mensalidade mais acessível foi decisiva para a escolha de Ana. Ela conta que havia sido aprovada em Medicina no Brasil ainda no segundo ano do ensino médio, mas sua família não tinha condições de arcar com uma universidade particular.

Anos depois, já morando em Dourados, ela voltou a avaliar as possibilidades de seguir o sonho de ser médica. Na época, segundo o relato, a mensalidade do curso preparatório que frequentava era superior a R$ 2 mil, enquanto a faculdade de Medicina no Paraguai custava cerca de R$ 900 no início da graduação.

A experiência, porém, não se resumiu à questão financeira. Ana precisou se adaptar a outro idioma, cultura e sistema de saúde. Ela começou a estudar espanhol antes mesmo de ingressar na faculdade e afirma que os professores tiveram papel importante durante o período de adaptação.

Durante a graduação, também participou de atividades acadêmicas, iniciação científica, congressos e da Liga de Pediatria. Ela relata ainda que teve contato com atividades práticas desde o primeiro ano do curso.

Experiência trouxe aprendizados além da Medicina

Ana afirma que estudar no Paraguai proporcionou mudanças pessoais e culturais que foram além da formação profissional. A convivência com outro idioma, a distância da família e a necessidade de adaptação a uma nova realidade contribuíram, segundo ela, para seu amadurecimento.

A médica também destaca que sua experiência em uma instituição específica não deve ser generalizada para todas as faculdades paraguaias. Para quem considera estudar no país, recomenda pesquisar previamente a universidade, conhecer a estrutura, professores e campos de prática e conversar com estudantes e ex-alunos.

Depois de concluir a graduação, enfrentar duas etapas do Revalida e aguardar o resultado, Ana finalmente conseguiu o registro para exercer a profissão no Brasil. Para ela, o caminho é difícil, mas pode ser percorrido com planejamento e dedicação desde os primeiros anos da faculdade.

Fonte: Midiamax

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