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Cemitérios de Camapuã guardam histórias dos pioneiros que desbravaram a região

Às vésperas do Dia de Finados, memória dos antigos moradores revela a importância histórica dos dois campos-santos do município e resgata episódios marcantes de sua formação.

Foto: Etevaldo Vieira de Oliveira – julho de 2024 (ARQUIVO PESSOAL)

Às vésperas do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, os cemitérios de Camapuã guardam muito mais do que lembranças de quem já partiu. Entre túmulos antigos e histórias transmitidas ao longo das gerações, esses espaços preservam parte da memória de homens e mulheres que participaram da formação do município e do desbravamento da região. O resgate histórico é do advogado, escritor e compositor Etevaldo Vieira de Oliveira, que reúne registros e relatos sobre os primeiros moradores da cidade.

Na área urbana de Camapuã existem dois cemitérios conhecidos popularmente como Cemitério Velho e Cemitério do Bairro Alto. Entretanto, conforme destaca Etevaldo, os espaços possuem denominações oficiais estabelecidas por lei municipal há mais de cinco décadas: Cemitério Campo Santo São João Batista, conhecido como Cemitério Velho, e Campo Santo Santo Antonio, localizado no Bairro Alto. Apesar da importância histórica desses locais, os nomes oficiais ainda são pouco conhecidos pela população, situação que reforça a necessidade de valorizar e divulgar o patrimônio histórico municipal.

O Cemitério Velho se destaca pelo potencial de preservação da história de Camapuã. Para Etevaldo, o local poderia ser considerado um verdadeiro museu a céu aberto, especialmente por reunir os túmulos de moradores e familiares que viveram na região durante os primeiros tempos de formação da comunidade. Em seus arquivos pessoais, o escritor conserva registros sobre personagens e acontecimentos daquele período.

Entre os documentos estão fotografias dos mesmos túmulos feitas em julho de 1943 e julho de 2024, imagens que permitem observar a passagem do tempo e a importância da preservação desses espaços. As fotografias integram o arquivo histórico pessoal de Etevaldo Vieira de Oliveira.

A história do Cemitério do Bairro Alto também está ligada aos episódios mais antigos e dramáticos da região. Segundo o relato reunido por Etevaldo, os primeiros sepultamentos no terreno onde hoje funciona o cemitério teriam ocorrido entre as décadas de 1930 e 1940, após um confronto que resultou em mortes na então nascente vila.

De acordo com a narrativa, quando moradores retornaram ao local, cerca de três dias depois, os corpos foram transportados em carro de bois, enrolados em couros, e enterrados sem caixões e sem a presença de familiares, em uma das partes mais elevadas da área. O episódio, marcado pelas dificuldades e pela realidade daqueles tempos, permanece como um capítulo que merece investigação e registro para que essa memória não se perca.

Neste Dia de Finados, a história dos cemitérios de Camapuã convida a população a olhar para esses espaços também como lugares de memória, identidade e reconhecimento das gerações que vieram antes. Mais do que homenagear familiares e amigos falecidos, a data representa uma oportunidade de valorizar os registros históricos, preservar os túmulos antigos e conhecer as trajetórias daqueles que ajudaram a construir o município. O trabalho de resgate de Etevaldo Vieira de Oliveira contribui para manter vivas essas histórias e reforça a importância de preservar o passado para que as próximas gerações conheçam as origens de Camapuã.

Crédito histórico: Etevaldo Vieira de Oliveira, advogado, escritor e compositor, autor do relato original e responsável pelas fotografias de seu arquivo histórico pessoal. As informações sobre os episódios antigos foram atribuídas ao relato do autor.

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