Projeto Guardiões da Catira foi contemplado pela Fundação de Cultura de MS e levará a tradição sul-mato-grossense ao 7º Dia do Brasil, em Portugal, no mês de setembro de 2026

A tradição da catira, uma das mais autênticas manifestações da cultura popular de Mato Grosso do Sul, ganhará projeção internacional em setembro de 2026. O projeto Guardiões da Catira, idealizado pela produtora cultural Ariane Rodrigues, foi contemplado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) por meio do Edital de Intercâmbio Cultural e representará o Estado durante o 7º Dia do Brasil, realizado em Braga, Portugal. A iniciativa conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
A participação foi viabilizada após um convite da Associação UAI, entidade luso-brasileira responsável pela organização cultural em Portugal. Com a carta-convite, Ariane Rodrigues inscreveu o projeto no edital de intercâmbio cultural e conquistou a aprovação para levar uma comitiva de quatro integrantes de Camapuã ao evento. A viagem representa mais do que uma apresentação artística: será uma oportunidade de troca de experiências, valorização das raízes culturais e fortalecimento da presença da cultura sul-mato-grossense no exterior.
Durante a programação, o grupo levará ao público europeu a força da viola caipira, da dança da catira e dos grandes clássicos da música regional, com canções como Chalana, Trem do Pantanal e Comitiva Esperança. Além do repertório tradicional, os artistas estão preparando uma apresentação especial, com novas coreografias, recortados próprios, passos de catira e composições autorais desenvolvidas especialmente para o evento.
O grupo será formado por Ariane Rodrigues, responsável pelo projeto, pelo violeiro e catireiro Girsel da Viola, e por Carlito Clemente, mestre da Associação de Catireiros de Camapuã. Integrante de uma família que mantém a tradição da catira passada de geração em geração, Carlito representa a continuidade de uma manifestação cultural que faz parte da história do município. A tradição da família Clemente já atravessa várias gerações de catireiros, mantendo viva uma das expressões culturais mais importantes de Camapuã. Um quarto integrante também fará parte da comitiva e ainda está em fase de definição.
Além da apresentação, os representantes de Camapuã participarão de uma programação cultural com entrevistas, visitas e atividades relacionadas à história da viola portuguesa, instrumento que influenciou diretamente a formação da viola caipira brasileira. O intercâmbio também permitirá ampliar o conhecimento sobre as origens da catira, que reúne influências indígenas, africanas e portuguesas, fortalecendo ainda mais o trabalho desenvolvido pela Associação de Catireiros de Camapuã.
Para os integrantes do projeto, a aprovação representa um reconhecimento ao trabalho de preservação da cultura popular realizado no município. A participação no 7º Dia do Brasil promete levar o nome de Camapuã e de Mato Grosso do Sul para além das fronteiras brasileiras, mostrando a força de uma tradição que continua viva por meio da música, da dança e da dedicação de seus guardiões.