Intervenção no Ueno Bank congela até US$ 850 milhões em recursos públicos e gera comparações com o caso Banco Master, no Brasil

O Banco Central do Paraguai decretou intervenção no Ueno Bank na terça-feira (3), após o índice de solvência da instituição cair para menos da metade do mínimo exigido por lei. O banco possui aproximadamente 2,6 milhões de clientes, o equivalente a cerca de um terço da população paraguaia. Segundo o órgão regulador, a situação foi provocada por ajustes nas demonstrações financeiras e pela identificação de empréstimos considerados irregulares, concedidos a empresas ligadas aos controladores da instituição.
A decisão de intervenção foi aprovada por unanimidade pela diretoria do Banco Central.
A crise também atingiu diretamente os cofres públicos paraguaios. O Ueno Bank concentrava aproximadamente 29% dos depósitos do governo, o equivalente a US$ 869 milhões. Com a intervenção, entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos ficaram congelados, incluindo cerca de US$ 380 milhões de um fundo estatal. O Fundo de Garantia de Depósitos prevê cobertura de até 75 salários mínimos por pessoa, aproximadamente US$ 38 mil, protegendo cerca de 97% dos clientes.
Entretanto, valores que ultrapassam esse limite, incluindo recursos de empresas e grandes depositantes, dependem da recuperação financeira da instituição.
A situação provocou repercussão política no país e levantou comparações com o caso do Banco Master, no Brasil. Nas redes sociais, brasileiros residentes no Paraguai passaram a chamar o episódio de “Banco Master do Paraguai”, diante das dificuldades de acesso aos aplicativos e das filas de clientes em busca de informações e saques. A crise também teve consequências no governo paraguaio, com a saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, o cancelamento de uma viagem oficial do presidente Santiago Peña e a suspensão da pré-candidatura presidencial do vice-presidente Pedro Alliana.
A comparação com o caso brasileiro envolve suspeitas relacionadas às operações financeiras das duas instituições. No Banco Master, as acusações apontam suposta fraude na revenda de títulos ao Banco de Brasília (BRB), enquanto, no Paraguai, o Banco Central identificou empréstimos considerados irregulares a empresas ligadas aos controladores do Ueno Bank. No caso brasileiro, Daniel Vorcaro permanece preso, sem condenação, enquanto sua defesa solicita a soltura ao Supremo Tribunal Federal (STF). As imputações nos dois episódios ainda dependem de apuração e decisões das autoridades competentes. No Paraguai, a principal preocupação é identificar quanto dos recursos públicos congelados poderá ser recuperado.
Fonte: TV Sim Brasil.