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Advogada de Camapuã se emociona em estreia no plenário, faz primeira sustentação contra promotor com quem trabalhou e conquista vitória

Dra. Julia Alves da Silva Flor vive momento marcante na carreira ao realizar sua primeira sustentação no Tribunal do Júri e ter a tese de legítima defesa acolhida pelos jurados

 

 

Há momentos que representam muito mais do que uma conquista profissional. Para a advogada Dra. Julia Alves da Silva Flor, de Camapuã, a primeira atuação no plenário do Tribunal do Júri foi um desses momentos. Diante do juiz, dos jurados, da acusação e do público que acompanhava o julgamento, ela realizou sua primeira sustentação em plenário, justamente contra o promotor de Justiça Lindomar Tiago Rodrigues, promotor titular da 1ª Promotoria de Justiça de Camapuã, com quem havia trabalhado durante sua passagem pelo Ministério Público. A sustentação aconteceu na última quinta-feira, 27 de agosto. Ao final, a tese apresentada pela defesa foi acolhida pelos jurados, transformando a estreia em uma vitória marcada por emoção e significado.

Dra Julia com o promotor de Justiça Lindomar Tiago Rodrigues.

 

Formada em Direito em 2021, Julia começou a atuar na advocacia no início de 2023, especialmente na área criminal. Sua relação com o Direito Penal, porém, começou ainda durante a faculdade, quando teve a oportunidade de estagiar no Fórum e, posteriormente, nas Promotorias de Justiça de Camapuã. Depois de formada, buscou especialização na área, com pós-graduação em Direito Penal pela Damásio Educacional. Para ela, as experiências anteriores foram fundamentais para compreender o Judiciário por diferentes perspectivas.

Dra. Julia Alves da Silva Flor

 

“Por trás de cada processo existe uma história, uma família, um conflito e, principalmente, pessoas que precisam ser ouvidas”, destaca Julia. Foi durante o período de estágio no Ministério Público que ela se aproximou ainda mais da área criminal e descobriu uma identificação com esse campo da advocacia. A escolha pela defesa criminal, segundo ela, nasceu também da convicção de que todas as pessoas têm direito à defesa e de que o advogado exerce papel fundamental para que a Justiça seja aplicada de maneira correta.

A primeira sustentação em plenário, no entanto, veio acompanhada de uma circunstância especial. O promotor com quem Julia precisou debater era justamente Lindomar Tiago Rodrigues, profissional com quem ela havia trabalhado durante seu estágio, em 2019. Anos depois, ela retornava àquele ambiente em uma posição completamente diferente: agora como advogada, responsável pela defesa de seu cliente diante dos jurados. “Foi um misto de alegria, ansiedade e apreensão”, contou. Ela admite que nunca imaginou que sua estreia no Tribunal do Júri aconteceria daquela maneira.

O caso envolvia uma acusação de tentativa de homicídio após um desentendimento entre vizinhos em uma pequena propriedade rural. Sem expor a identidade das pessoas envolvidas, Julia explica que a principal tese da defesa foi a legítima defesa. Durante a preparação, ela analisou cuidadosamente os depoimentos, as circunstâncias do fato e os demais elementos que constavam no processo para apresentar aos jurados uma perspectiva diferente daquela sustentada pela acusação.

Dra. Julia Alves da Silva Flor

 

Para a advogada, um dos principais desafios foi transformar todo o conteúdo técnico do processo em uma argumentação clara para os jurados. “Eu sempre acreditei que uma boa defesa não é aquela que utiliza as palavras mais difíceis, mas aquela que consegue transmitir com clareza aquilo que está nos autos do processo”, afirmou. Foi com essa estratégia que ela chegou ao plenário, buscando demonstrar que os fatos deveriam ser analisados em seu contexto e que, diante das circunstâncias apresentadas, a legítima defesa era a resposta juridicamente adequada.

Quando veio o resultado, a emoção tomou conta. Depois de toda a preparação, da ansiedade e da responsabilidade de realizar sua primeira sustentação, Julia soube que os jurados haviam acolhido a tese defensiva. “Foi uma sensação difícil de colocar em palavras. Foi uma mistura de alívio, alegria e, principalmente, gratidão”, relatou. Para ela, aquele momento trouxe à memória toda a trajetória percorrida desde os primeiros passos no Fórum até chegar ao plenário.

Mais do que uma vitória profissional, a experiência representou uma confirmação pessoal para a advogada. “Essa primeira experiência no Tribunal do Júri me mostrou que estou exatamente onde gostaria de estar”, afirma. Ao olhar para a estudante que um dia começou como estagiária e imaginar que aquela trajetória a levaria a defender sozinha uma pessoa diante de um plenário, Julia define o momento como motivo de gratidão. E deixa uma mensagem para quem deseja seguir o mesmo caminho: “Estudem, preparem-se e tenham coragem de ocupar esses lugares.” Para ela, o plenário pode assustar, mas também é um espaço que deve ser ocupado com conhecimento, responsabilidade, coragem e humanidade.

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