Luane Guimarães relembra o susto, a recuperação e como a solidariedade transformou sua forma de ver a vida

A enfermeira camapuanense Luane Guimarães viveu momentos de medo e incerteza no dia 8 de novembro de 2023, quando sofreu um grave acidente na BR-060, enquanto voltava de Campo Grande para Camapuã. O veículo em que ela estava foi atingido em uma colisão frontal por outro carro, ocupado por dois homens que estavam embriagados. Com o impacto, Luane ficou presa às ferragens, sentindo um peso intenso nas pernas e buscando conforto em pensamentos na mãe e no filho:
“A primeira pessoa que eu chamei foi minha mãe. Queria muito a minha mãe naquele momento. Era um peso enorme nas pernas e eu ouvia o pessoal do outro carro gritando”, contou.

Neste Natal, a história ganha um significado ainda mais especial. O reencontro com Luiz Filipy, o acadêmico que teve a coragem de ligar para a mãe de Luane no momento do acidente, aconteceu dois anos depois e foi marcado por emoção e gratidão. No dia do ocorrido, ninguém tinha coragem de avisar a família sobre a gravidade da situação, mas Luiz Filipy decidiu agir. Ele ligou, explicou o acidente e informou que Luane havia sido encaminhada para São Gabriel do Oeste, o que permitiu que a mãe dela tomasse rapidamente as providências e fosse ao encontro da filha:
“Naquele momento, eu só pensei que alguém precisava avisar. Não dava para esperar. Fiz o que achei certo”, relembrou Luiz Filipy.

O resgate no dia do acidente também foi rápido e cuidadoso: a equipe da CCR chegou rapidamente, conversando com ela para mantê-la acordada. Uma técnica, Daisy, teve um gesto que marcou Luane para sempre: “Ela me falou que ia me devolver para o meu filho. Parece que veio uma paz naquele momento, uma esperança”.
A recuperação foi longa e desafiadora. Luane passou por oito cirurgias, enfrentou uma cirurgia particular devido a negligência médica e quase dois anos de fisioterapia:
“Na época, eu esperava que a recuperação fosse rápida, três a seis meses, mas nada foi como imaginei. Aprendi a valorizar cada momento, cada pequeno gesto. Até o primeiro banho de chuveiro após a internação foi emocionante. Depender dos outros para coisas simples me fez perceber o quanto cada detalhe da vida é precioso”, disse.
Hoje, Luane voltou ao trabalho, retomando sua rotina com gratidão e uma nova perspectiva de vida. Na véspera de Natal, Luiz Filipy esteve na casa de Luane para um reencontro carregado de simbolismo: foi a primeira vez que a mãe da enfermeira pôde conhecer pessoalmente o jovem que, no momento mais crítico, teve a coragem de ligar e avisar sobre o acidente. Um gesto simples, mas decisivo, que tornou este Natal ainda mais especial e marcado pela gratidão da família.

Ela não esquece de agradecer a todos que estiveram ao seu lado: a equipe do hospital, os profissionais da CCR, o pessoal de São Gabriel e aqueles que a ajudaram a cada passo da recuperação. “Não consigo expressar toda a gratidão que sinto por todos. Desde a equipe que me resgatou até cada profissional que acompanhou minha recuperação. Cada gesto de cuidado foi um presente que me fez perceber que a vida é feita de detalhes, de momentos que parecem pequenos, mas que são gigantes na nossa história”, completou.
Para Luane, o acidente trouxe um aprendizado profundo: valorizar o simples, a família, os amigos verdadeiros e cada oportunidade de estar viva. “Hoje eu vejo a vida de forma diferente. Cada dia, cada momento, cada sorriso do meu filho José é um tesouro. Aprendi que a verdadeira riqueza está nas coisas simples, no cuidado das pessoas ao nosso redor e no amor que recebemos e compartilhamos. É uma lição que levarei para sempre”, concluiu.
A história de Luane Guimarães, especialmente neste Natal, é um lembrete do valor da vida, da solidariedade e da importância de apreciar cada instante. Um acidente que poderia ter sido trágico se transformou em uma lição de esperança, resiliência, gratidão e amor ao próximo.
Não tem como não se emocionar.
Uma linda história de superação
Grande Luiz Felipy, foi meu aluno, sempre atencioso e educado. A Luane, morávamos no mesmo bairro, a Risangela uma guerreira, super mãe.