Iniciativa que começou em 2001 se tornou tradição, levando fiéis a experiências de devoção, cultura e gratidão a Deus

Camapuã celebra, nesta segunda-feira (19), uma história marcada pela fé, perseverança e amor ao próximo. O organizador André Rodrigues Amorim, conhecido carinhosamente como Andrezinho, completa 25 anos à frente das caravanas religiosas e culturais, um trabalho iniciado em 2001 e que, ao longo de mais de duas décadas, levou centenas de pessoas a vivenciarem momentos únicos de devoção em festas religiosas, missas, romarias e encontros comunitários em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

Tudo começou em 19 de janeiro de 2001, durante uma festa em louvor a São Sebastião, no distrito de Santa Tereza, época em que Camapuã ainda não contava com os recursos tecnológicos atuais. Sem redes sociais ou celulares, a divulgação era feita pelo rádio, com anúncios na então Rádio Princesinha do Vale, apresentados pela radialista Norma Pereira, voz marcante e inesquecível para a população camapuanense. Foi ali que André tomou a decisão que mudaria sua vida: organizar a primeira viagem de ônibus para levar fiéis até a festa — iniciativa que segue viva até hoje.

A radialista Norma Pereira, voz marcante do rádio camapuanense e que à época atuava na Rádio Princesinha do Vale, relembra com emoção sua participação nessa trajetória. Segundo ela, foi com grande alegria que acompanhou, mesmo que indiretamente, o início e a consolidação do trabalho de André:
“É com muita satisfação que eu pude participar, de uma certa forma, da vida do Andrezinho, ajudando a levar os fiéis para as festas religiosas e culturais”, afirma.

Norma conta que André sempre procurava a emissora para divulgar as viagens e convidar a comunidade. “Ele ia até a rádio e pedia para a gente anunciar. Eu avisava os ouvintes: ‘O Andrezinho vai estar fretando ônibus para Santa Tereza, Pontinho do Cocho, João Sapinho e outros lugares’. Informava o horário, o local de saída, geralmente da praça central, para o pessoal chegar mais cedo e se organizar”, recorda. Ela também relembra as dificuldades da época, como estradas sem asfalto e falta de energia elétrica, mas destaca a determinação de André:
“Mesmo com tudo isso, ele gostava muito do que fazia. São 25 anos agora, e eu estive junto, convocando o pessoal para participar dessas festividades. É um prazer poder falar dessa história”, conclui.

Desde então, André nunca mais parou. Ônibus, vans e outros veículos passaram a ser instrumentos de um trabalho que ele define não como uma escolha, mas como um dom e uma missão de fé:
“Essa caravana não é uma opção, é uma fé verdadeira que eu tenho dentro do meu coração. É pela força de Deus que seguimos juntos até hoje”, afirma.
Ao longo desses 25 anos, as caravanas organizadas por André levaram fiéis a diversos destinos religiosos e culturais, incluindo Nossa Senhora Aparecida, no morro próximo à Furna do Dionísio, em Jaraguari, local que ele descreve como um “pequeno paraíso”. Mesmo durante o período mais difícil da pandemia, André manteve o compromisso de continuar levando pessoas para viver experiências de fé, sempre com responsabilidade e devoção.

Mais do que viagens, André define suas caravanas como “oportunidades únicas”. “É dar chance para as pessoas visitarem um santo, participarem da festa religiosa e social, viverem algo que muitas vezes nunca viveram”, destaca. Para ele, cada viagem só foi possível graças à confiança dos passageiros, ao apoio de patrocinadores e, principalmente, à proteção divina.
O reconhecimento por esse trabalho veio de forma especial em 2023, quando André recebeu a Medalha de Mérito Cultural Camapuanense, concedida pelo então vereador Professor Jean. A homenagem, segundo ele, foi uma das maiores honras de sua vida. “Foi uma gratidão pelo meu trabalho. Uma bênção que Deus me concedeu. Essa medalha representa todos esses anos de luta, fé e união”, afirma emocionado.

Agora, ao completar suas Bodas de Prata, André faz questão de agradecer. “Eu agradeço muito a Deus, em primeiro lugar, e a todas as pessoas que viajaram comigo. Sem elas, não existiria caravana. Peço a Deus saúde para continuar com essa graça maravilhosa, hoje, amanhã e sempre”, declara.

As comemorações pelos 25 anos das caravanas religiosas e culturais seguem neste mês de janeiro, incluindo uma celebração especial em Santa Tereza, local onde tudo começou. Uma história que prova que, quando a fé conduz o caminho, nenhum destino é distante demais.