Letícia Prado descreve que o marido, Daniel Lucas de Campos, se voluntariou “pela emoção de fazer o bem”

O campineiro Daniel Lucas de Campos, de 32 anos, morreu enquanto participava como voluntário da guerra na Ucrânia. Ele deixou o Brasil em 12 de agosto de 2025, motivado tanto pelo idealismo quanto pela promessa de uma remuneração mensal de R$ 25 mil, além de uma eventual indenização à família em caso de morte. No entanto, segundo relatos da esposa, Letícia Prado, nenhum desses pagamentos foi integralmente cumprido.
Letícia contou que Daniel se voluntariou “pela emoção de fazer o bem”, acreditando que poderia contribuir com um esforço humanitário enquanto melhorava a situação financeira da família. Antes de embarcar, ele trabalhava como vendedor de carros e sustentava a esposa e os dois filhos. Nos quatro meses em que esteve na Ucrânia, os pagamentos foram irregulares: nos dois primeiros meses, recebeu R$ 7 mil, e nos dois últimos, não recebeu nada, deixando a família em dificuldades financeiras.
Segundo Letícia, Daniel assinou um documento com o governo ucraniano prevendo salário mensal e compensação em caso de morte, mas nenhuma das parcelas foi integralmente cumprida. A confirmação da morte chegou de forma traumática: Letícia percebeu a tragédia antes da notificação oficial, ao acompanhar mensagens de outros soldados sobre perdas no front.
O sonho de Daniel sempre foi servir, e antes de seguir para o Leste Europeu, ele passou por um breve treinamento de três dias no Rio de Janeiro. Agora, a família enfrenta o desafio de trazer o corpo de volta ao Brasil. O Ministério das Relações Exteriores informou que custeia apenas o traslado internacional até Brasília. Para levar o corpo de Brasília a Campinas, os familiares organizaram uma vaquinha online e arrecadaram R$ 11 mil, mas o traslado ainda não ocorreu. Letícia lamenta a demora e destaca a necessidade de um enterro digno.
O conflito na Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022 com a invasão russa, segue sem previsão de encerramento, e a situação para voluntários estrangeiros continua incerta, incluindo questões financeiras e riscos à vida.
Fonte: Brasil 247