Prejuízo é superior a R$ 16,5 bilhões; Banco Central garante que correntistas com recursos retidos serão restituídos

Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção na terça-feira (3) para protestar contra a crise do Ueno Bank, instituição que possui aproximadamente 3 milhões de clientes. Os manifestantes cobraram a liberação do dinheiro retido e exibiram cartazes pedindo o impeachment do presidente do país, Santiago Peña. Também foram registradas filas em agências bancárias, com clientes tentando recuperar os valores depositados.
O Banco Central do Paraguai interveio na instituição após identificar uma grave insuficiência de capital, suspendendo os serviços enquanto são organizados os procedimentos para proteger os depositantes. A medida deixou os correntistas sem acesso imediato aos recursos. O órgão informou que os clientes receberão um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis, equivalente a aproximadamente R$ 9,2 mil. O procedimento foi adotado para preservar os depósitos e a estabilidade do sistema financeiro.
A crise também provocou a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, que já havia comandado o Ueno Bank antes de assumir o órgão regulador, em 2023. A saída foi formalizada após o presidente Santiago Peña solicitar sua renúncia. O caso ganhou repercussão política porque Peña teve participação acionária em um grupo controlador do banco até 2025. Segundo o senador oposicionista Rafael Filizzola, o prejuízo relacionado à crise supera US$ 3 bilhões, cerca de R$ 16,5 bilhões, e a oposição trabalha para apresentar uma acusação que permita abrir um processo de impeachment contra o presidente.
A Justiça paraguaia também determinou a prisão de oito diretores da instituição, incluindo o presidente do banco, Miguel Vázquez, que se apresentou à polícia. As investigações ocorrem em meio a falhas no sistema bancário eletrônico e ao bloqueio de transações de pequenos poupadores. O Banco Central informou que o procedimento de resolução busca garantir a proteção dos depositantes, enquanto as autoridades apuram as responsabilidades pela crise.
Fonte: VEJA