Após recurso do Ministério Público, condenações passaram para 16 anos e 11 meses para a mãe e 19 anos, 6 meses e 15 dias para o filho; crime ocorreu durante uma confraternização familiar em Aquidauana

A Justiça de Mato Grosso do Sul aumentou as penas de Marineide Santana e Odaison Santana Rui Dias, condenados pelo assassinato de Jonilson Pereira Gomes, de 33 anos, em Aquidauana, a 141 quilômetros de Campo Grande. A vítima foi morta com golpes de machado e facadas durante uma confraternização familiar.
Após recurso do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o Tribunal de Justiça (TJMS) elevou a condenação de Marineide para 16 anos e 11 meses de prisão e a de Odaison para 19 anos, 6 meses e 15 dias. Ambos deverão cumprir as penas em regime fechado.
Os dois haviam sido condenados pelo Tribunal do Júri de Aquidauana em 27 de maio deste ano. Na sentença inicial, Marineide recebeu pena de 16 anos de reclusão, enquanto Odaison foi condenado a 18 anos. O Ministério Público recorreu, argumentando que a brutalidade do ataque e a quebra da confiança familiar justificavam punições mais severas. A 3ª Câmara Criminal acolheu o pedido e reformou parcialmente a decisão.
Como ocorreu o crime
O assassinato aconteceu em 18 de janeiro de 2025, durante uma confraternização na Rua Ovídio Costa, na Vila Pinheiro, em Aquidauana. Conforme a investigação, familiares consumiam bebidas alcoólicas quando uma discussão, motivada por uma brincadeira considerada fútil, terminou em violência.
Segundo a acusação, Odaison atingiu o tio com um golpe de machado na cabeça. Depois que Jonilson caiu ferido, Marineide o esfaqueou. A vítima foi socorrida e levada ao Hospital de Aquidauana, mas morreu horas depois.
Durante o julgamento, Odaison afirmou que havia atingido apenas o cabo da ferramenta. No entanto, a perícia identificou ferimentos na região da têmpora e na parte superior da cabeça. Testemunhas também relataram que Jonilson não estava armado, contrariando a versão apresentada pelo sobrinho, que alegou que o tio carregava um canivete durante a discussão.
Os exames periciais apontaram ainda que a faca apresentada às autoridades não era compatível com os ferimentos encontrados no corpo. Segundo o laudo, a arma utilizada tinha uma lâmina maior, responsável por atingir profundamente o tórax da vítima. A morte foi causada por hemorragia decorrente dos golpes de machado e das facadas.
Plano de fuga e prisão
Durante as investigações, a Seção de Investigações Gerais (SIG) apurou que mãe e filho planejavam deixar Aquidauana após o homicídio, com destino a Sidrolândia. Mensagens obtidas por meio de quebras de sigilo autorizadas pela Justiça indicaram conversas entre os dois sobre a possibilidade de conseguir uma motocicleta para fugir.
Marineide e Odaison foram localizados e presos em 27 de janeiro, antes de deixarem o município. Ambos foram condenados por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Ao analisar o recurso do Ministério Público, o TJMS considerou a violência do ataque e o fato de o crime ter ocorrido em um ambiente de confiança familiar para justificar o aumento das penas.
Fonte: Campo Grande News