Moradores do Indubrasil denunciam que veículos pesados usam ruas residenciais para evitar fiscalização na BR-262. DNIT e Agetran não deram prazo para resolver o problema

O tráfego intenso de caminhões e carretas tem causado transtornos aos moradores do bairro Indubrasil, em Campo Grande. Segundo a comunidade, motoristas de veículos pesados utilizam as ruas residenciais para evitar a balança de fiscalização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), instalada na BR-262. Mesmo com placas que proíbem a circulação desses veículos, caminhões carregados com minério, cimento e calcário passam diariamente pelo bairro, onde há escolas, creches e comércios. Poeira, buracos no asfalto e risco de acidentes estão entre as principais reclamações.
Moradores relatam preocupação com a segurança de crianças e pedestres, além dos problemas de saúde causados pela poeira. Mônica Pereira da Silva, que tem oito netos, afirma que teme deixar as crianças irem sozinhas à escola devido ao movimento de carretas. Keli Marques da Silva também alerta para a velocidade dos veículos e diz que a situação persiste há mais de um ano. O montador Jonathan Costa dos Santos relata dificuldades para respirar e sujeira dentro de casa, enquanto Pedro Henrique de Freitas reclama que a poeira suja as roupas e prejudica a rotina dos moradores.
De acordo com os relatos, o problema se intensificou após a instalação de uma balança móvel do DNIT na BR-262, próximo à rotatória de entrada da cidade. Os moradores afirmam que caminhoneiros desviam do equipamento e entram nas ruas do Indubrasil para evitar a pesagem. A balança funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h, e o fluxo de veículos pesados seria maior entre 8h e 11h. O aposentado Lourival Pereira Dantas afirma que caminhões vindos de pedreiras e outros veículos de carga utilizam as vias residenciais como se fossem uma rodovia. A comunidade também reclama da sinalização nas proximidades da balança, que, segundo os moradores, provoca confusão e aumenta o risco de acidentes. O presidente da Associação de Moradores, Ademir Bueno Jacó, citou uma colisão recente que deixou uma mulher ferida e teria sido influenciada pela visibilidade prejudicada pela presença de carretas.
Moradores e comerciantes afirmam que já procuraram as autoridades para pedir a mudança do local da balança, mas as medidas adotadas até agora incluem a instalação de quebra-molas e placas com limites de peso para as ruas. O comerciante Celso Silva Machado relata que procurou o DNIT e recebeu a informação de que a transferência do equipamento dependeria de uma estrutura adequada para os servidores responsáveis pela fiscalização. Ele defende que o órgão providencie um espaço apropriado para a equipe, em vez de transferir os transtornos à população. Em resposta à reportagem, o DNIT informou que conhece a circulação de caminhões pelo bairro para evitar a fiscalização e que atua dentro de suas competências para coibir a prática, além de se colocar à disposição para trabalhar com a Prefeitura de Campo Grande. A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) afirmou que realiza fiscalizações e adotou medidas de ordenamento viário, incluindo sinalização e dispositivos de segurança. O órgão também pretende discutir novas ações com o DNIT, mas nenhuma das instituições apresentou prazo para solucionar o problema.
Fonte: G1 MS