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Juiz que viveu e estudou em Camapuã relembra trajetória até a magistratura em visita a escola de Campo Grande

Luciano Beladelli passou parte da juventude em Camapuã antes de seguir carreira no Judiciário e voltou ao bairro Nova Lima para conversar com estudantes

Beladelli falou sobre a desigualdade de gênero no Judiciário e as regras criadas para ampliar a presença feminina nos tribunais. (Foto divulgação)

Antes de se tornar juiz, Luciano Pedro Beladelli percorreu durante dez anos as ruas da região do Nova Lima, em Campo Grande, como oficial de Justiça. Na noite de quinta-feira (24), voltou ao bairro para uma tarefa diferente: conversar com estudantes da Escola Estadual Lino Vilachá. Atualmente atuando em Anastácio, o magistrado participou do projeto Magistratura Vai à Escola e compartilhou uma trajetória que também tem ligação com Camapuã, cidade onde viveu e estudou antes de ingressar na carreira jurídica.

A visita ao bairro trouxe lembranças de uma fase importante da vida de Beladelli. “Eu vi cada estabelecimento comercial que se instalou aqui”, contou. Para os estudantes, porém, o juiz falou principalmente sobre uma parte de sua história que não aparece no cargo que ocupa atualmente.

Na adolescência, Beladelli trabalhou como frentista e também juntou latinhas para ajudar em casa. Depois, passou cinco anos estudando e prestou 21 concursos até ser aprovado para a magistratura. Atualmente, soma 15 anos de carreira como juiz.

“Às vezes, olhamos para uma pessoa e pensamos que tudo foi fácil. Mas as coisas não são assim. Vêm de muita luta, estudo e incentivo”, disse o magistrado.

A trajetória também passa por Camapuã. Antes de avançar na formação e construir carreira no Judiciário, Beladelli viveu e estudou no município, experiência que faz parte de uma caminhada iniciada ainda na juventude e marcada por diferentes trabalhos e períodos de preparação até chegar à magistratura.

Durante o encontro, os estudantes também aproveitaram para fazer perguntas sobre o funcionamento da Justiça. Um deles quis saber por que há tão poucas mulheres entre os desembargadores.

Beladelli explicou que a presença feminina diminui nos postos mais altos da magistratura e citou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, são cinco desembargadoras entre os 37 integrantes da Corte.

O juiz também explicou aos alunos que o Conselho Nacional de Justiça criou regras para ampliar o acesso das magistradas aos tribunais. A Resolução nº 525/2023 prevê que, nos casos em que a participação feminina ainda esteja abaixo do patamar estabelecido pelo CNJ, haja alternância entre editais de promoção por merecimento abertos a todos e editais exclusivos para magistradas.

Ao final da conversa, Beladelli deixou aos estudantes uma mensagem que vai além da escolha pela carreira jurídica. Falou sobre respeito, acolhimento e responsabilidade com outras pessoas, reforçando a importância do esforço, do estudo e das oportunidades ao longo da vida.

A história contada pelo magistrado também ganha um significado especial para Camapuã, onde viveu e estudou antes de seguir sua trajetória profissional. Da adolescência marcada pelo trabalho e pelas dificuldades financeiras aos anos de preparação para concursos, o caminho percorrido por Beladelli mostra uma trajetória construída muito antes de chegar aos tribunais.

Em agosto, Beladelli foi anunciado como um dos cinco finalistas do 6º Prêmio INAC de Integridade pelo projeto “Juventude no Cartório Eleitoral”.

Fonte: Campo Grande News

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