Medida determina recolhimento de armas e suspensão de acessos aos sistemas da corporação; Delegado Hoffman D’Ávila também foi preso

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul afastou compulsoriamente oito policiais investigados na Operação Infiltrados, deflagrada nesta quinta-feira (24) para apurar um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais. As portarias que determinam o afastamento foram publicadas no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (25) e estabelecem a medida enquanto durar a prisão preventiva dos agentes.
Além do afastamento, os policiais tiveram determinadas a entrega de armas, carteiras funcionais e outros bens públicos. Também foram suspensos os acessos e senhas dos investigados aos sistemas utilizados pela corporação, entre eles o Sistema Integrado de Gestão Operacional (SIGO) e o Infoseg. Entre os afastados está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, lotado na 6ª Delegacia de Polícia Civil, que também já atuou na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e no Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras).
Os demais policiais afastados são os investigadores Luiz Carlos de Souza, da Denar; Douglas Tobias, do Grupo de Operações e Investigações (GOI); Neverson Vieira de Araújo, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP); Nelson Ricardo Barros de Oliveira, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv); Nilton César Sales dos Santos, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf); Roberto Palmeira da Silva, da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Campo Grande; e Marcos André Santos Chaves, da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a investigação apura a suspeita de que policiais tenham utilizado a função pública e o acesso à estrutura das forças de segurança para retirar drogas apreendidas e repassá-las a integrantes de uma organização criminosa. Os investigadores identificaram, inicialmente, duas formas de atuação: a omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais das apreensões ou a retirada das drogas diretamente dos depósitos das delegacias. A suspeita é de que os entorpecentes, principalmente cocaína, fossem posteriormente devolvidos ao mercado ilegal.
A investigação começou em outubro de 2025, a partir de elementos obtidos durante as Operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco. O ex-policial Augusto Torres Galvão Florindo também é alvo da Operação Infiltrados. Ele foi demitido da Polícia Civil em setembro de 2026 após responder a um processo administrativo disciplinar relacionado a uma investigação sobre desvio e venda de cigarros eletrônicos apreendidos. Em novembro de 2025, Augusto havia sido preso em Três Lagoas durante a investigação, quando foram apreendidos R$ 153,5 mil. Em agosto deste ano, ele foi absolvido pela Justiça Federal das acusações de corrupção passiva e ativa por falta de provas suficientes para estabelecer relação entre o dinheiro e a função pública exercida por ele. A absolvição ocorreu na esfera criminal, enquanto a demissão ocorreu posteriormente na esfera administrativa. Agora, ele voltou a ser investigado no inquérito que apura o suposto desvio de drogas.
A Operação Infiltrados cumpre 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. A ação é realizada pelo Gaeco com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A situação de cada investigado depende do cumprimento dos respectivos mandados. As portarias da Polícia Civil também estabelecem que os resultados da investigação sejam encaminhados para apuração disciplinar pela Corregedoria-Geral da instituição.
O advogado Amilton Ferreira, responsável pela defesa do delegado Hoffman D’Ávila, informou que ainda não teve acesso aos autos. O g1 também procurou as defesas dos demais investigados, mas, até a publicação da reportagem, os advogados disseram não ter acesso ao conteúdo da investigação e, por isso, não se manifestaram. Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que a operação envolve servidores das forças de segurança que já eram investigados pelas respectivas corregedorias e que três deles já haviam sido presos anteriormente, sendo que um foi recentemente exonerado. A secretaria declarou ainda que não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas e que eventuais irregularidades serão apuradas conforme a legislação, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
Fonte: G1 MS