Homicídios, tentativas de assassinato e ataques armados ocorreram em diferentes bairros desde agosto; Polícia Civil investiga possível relação entre alguns dos crimes e disputas entre grupos criminosos

Sidrolândia registrou uma sequência de homicídios, tentativas de homicídio e ataques armados em pouco mais de um mês. Os casos ocorreram em diferentes bairros da cidade e envolveram execuções dentro de residências, ataques a tiros e até o uso de artefatos semelhantes a coquetéis-molotov.
O episódio mais recente aconteceu na madrugada deste domingo (20), no Bairro São Bento, quando uma mulher de 30 anos foi baleada durante uma tentativa de homicídio. Segundo o registro policial, o alvo dos atiradores era um homem que estava com ela.
A vítima estava dentro de um carro, em frente a uma conveniência localizada na esquina das ruas Generoso Ponce e Tomás Cáceres, quando dois homens chegaram em uma motocicleta e começaram a atirar contra o homem.
Durante a fuga, os suspeitos continuaram efetuando disparos e acabaram atingindo a mulher, que estava dentro de um veículo estacionado.
Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. Segundo a ocorrência, os médicos constataram duas perfurações, uma em cada perna, ambas transfixantes.
No local, a Polícia Militar encontrou quatro estojos de munição calibre 9 milímetros deflagrados e cinco munições intactas.
O caso foi registrado como tentativa de homicídio e lesão corporal.
Homem é executado após mulher ser feita refém
Poucas horas antes do ataque, na manhã de sábado (19), Douglas Amorim Lopes, de 36 anos, conhecido como “Douglinhas”, foi assassinado a tiros no Bairro Jatobá.
De acordo com o registro policial, antes de chegar até a vítima, o atirador abordou uma mulher de 28 anos que caminhava pela Rua 29 de Julho.
Sob ameaça de um revólver encostado nas costelas, ela foi obrigada a acompanhar o criminoso até a residência de Douglas e indicar onde ele morava.
Ao chegar ao imóvel, o suspeito localizou Douglas pela janela. Conforme o relato registrado pela polícia, a vítima reconheceu o homem e gritou: “Não, Morcego, não Morcego”.
Ainda segundo o registro, o suspeito respondeu: “Eu falei pra você que ia acontecer isto” e efetuou os disparos.
Douglas morreu antes da chegada do socorro. O autor fugiu e abandonou no quintal de uma casa vizinha a camisa preta que usava. A peça foi recolhida pela perícia.
A Polícia Civil investiga o caso e apura, entre outras possibilidades, uma eventual relação com disputas entre grupos criminosos.
Adolescente de 17 anos é morto a tiros
Na noite de 10 de setembro, um adolescente de 17 anos foi executado enquanto estava sentado com amigos em frente à residência onde morava.
Segundo o boletim de ocorrência, dois homens chegaram de bicicleta e efetuaram vários disparos. O adolescente tentou fugir, mas caiu nas proximidades da Rua Américo Carlos da Costa.
Uma testemunha indicou como possível autor um homem conhecido pelo apelido de “Neguinho SB”. Conforme o relato, ele estaria usando uma bicicleta roxa, agasalho cinza e capuz. O segundo suspeito não foi identificado.
Durante as investigações, a polícia apurou que o adolescente havia se envolvido em duas discussões horas antes do homicídio. Uma delas teria ocorrido com um homem de 27 anos e a outra com um adolescente.
Familiares relataram à polícia a possibilidade de que o crime estivesse relacionado a uma disputa entre grupos criminosos. A hipótese passou a fazer parte das linhas de investigação.
Ataque com tiros e artefatos semelhantes a coquetéis-molotov

Poucas horas depois da morte do adolescente, já na madrugada de 11 de setembro, Leomar Nunes foi baleado no Bairro Jatobá.
Segundo a ocorrência, dois homens chegaram em uma motocicleta, arremessaram duas garrafas contendo artefatos semelhantes a coquetéis-molotov contra uma residência e efetuaram diversos disparos.
Os objetos não entraram em combustão e não provocaram incêndio.
Durante a perícia, foram encontrados cinco cartuchos calibre 9 milímetros deflagrados e outras quatro munições intactas.
Leomar foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado para uma unidade hospitalar, mas morreu posteriormente.
Testemunhas relataram que os suspeitos teriam feito referência a uma organização criminosa antes de iniciar o ataque. Os homens fugiram e não haviam sido identificados até o registro da ocorrência.
Outro ataque deixa homem ferido
Dois dias depois, na madrugada de 13 de setembro, outro ataque a tiros deixou um rapaz ferido.
A vítima estava sentada em frente à casa de um conhecido quando um homem chegou em uma motocicleta e começou a atirar contra o grupo.
As pessoas correram, mas um dos disparos atingiu o rapaz na região dos glúteos e atravessou o corpo, provocando também uma fratura no cóccix.
Ele recebeu os primeiros atendimentos em Sidrolândia e posteriormente foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande, onde passou por cirurgia e exames.
Mesmo ferido, o rapaz conversou com os policiais e afirmou que não conhecia o atirador.
Até o registro da ocorrência, não havia informações sobre a identidade do suspeito, a motocicleta utilizada no ataque ou a motivação do crime.
Agosto também foi marcado por execuções
Antes da sequência de ataques registrada em setembro, Sidrolândia já havia registrado outros episódios violentos.
No dia 26 de agosto, Cleiderson Chaves da Rocha, de 22 anos, foi executado dentro de uma residência no Residencial Cascatinha Dois.
Segundo a investigação, aproximadamente sete homens armados invadiram o imóvel durante a noite. O grupo teria chegado chutando o portão e gritando: “Abre a porta que é a polícia”.
Uma mulher que estava na residência foi rendida e obrigada a permanecer de joelhos na cozinha. A filha dela, de apenas 4 anos, também estava no imóvel.
Enquanto parte do grupo mantinha a mulher sob ameaça, dois homens foram até o segundo andar da residência, onde encontraram Cleiderson em um quarto. O rapaz foi morto com diversos disparos.
Após a execução, os criminosos ainda atiraram contra o portão e a fachada do imóvel antes de fugir.
Durante a perícia, foi encontrado um revólver calibre .38 carregado com três munições intactas, além de estojos de munição calibre 9 milímetros.
Imagens de uma câmera de segurança registraram parte da fuga. Segundo a investigação, é possível ouvir pelo menos 25 disparos antes de três homens aparecerem correndo para fora da residência.
A polícia também apura uma possível relação do crime com disputas entre grupos criminosos.
Um homem de 31 anos apontado como integrante do grupo foi preso no dia seguinte, no Bairro São Bento. Com ele, os policiais encontraram uma pistola Mauser com numeração raspada, munições, aproximadamente 750 gramas de cocaína e uma balança de precisão.
No dia 31 de agosto, Pedro Martinz Filho, de 32 anos, conhecido como “Pedrinho”, também foi preso preventivamente. Conforme a investigação, ele teria participado diretamente da execução.
Outro homem morreu no mesmo dia
Horas antes da execução de Cleiderson, Alessandro dos Santos, conhecido como “Costela”, havia sido baleado em frente a uma borracharia na Rua Ponta Porã, na região do Cascatinha II.
Segundo o registro policial, o atirador chegou a pé e efetuou os disparos.
Alessandro foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros em estado gravíssimo e encaminhado ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa, mas morreu horas depois.
A motivação do crime não havia sido esclarecida.
As duas mortes ocorridas em poucas horas passaram a ser analisadas pela Polícia Civil diante da possibilidade de ligação com conflitos entre grupos criminosos.
Homem é baleado e motocicleta é incendiada
Ainda em agosto, no dia 15, Diogo Amorin Acosta foi baleado várias vezes no Bairro São Bento.
Moradores acionaram a Polícia Militar após ouvirem disparos e gritos. Os policiais encontraram Diogo caído no chão, com diversas perfurações pelo corpo.
Mesmo com dificuldade para falar, ele conseguiu informar o próprio nome e apontou um homem conhecido como “Maycon” como possível autor dos disparos.
Durante o atendimento, os socorristas encontraram uma mochila com documentos de uma motocicleta.
Pouco depois, os policiais receberam a informação de que uma moto estava em chamas na saída de Sidrolândia, no sentido do distrito de Quebra-Coco.
O Corpo de Bombeiros controlou o incêndio, mas o veículo ficou completamente destruído. Os documentos encontrados com Diogo eram da mesma motocicleta.
A vítima foi encaminhada ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa e posteriormente transferida, em estado gravíssimo, para a Santa Casa de Campo Grande.
O suspeito apontado pela vítima não havia sido localizado até o registro da ocorrência.
Polícia investiga possível conexão entre os crimes
De agosto até este domingo (20), Sidrolândia acumulou uma série de homicídios, tentativas de homicídio e ataques armados em diferentes regiões da cidade.
Embora os crimes tenham dinâmicas distintas, algumas ocorrências apresentam elementos semelhantes, como o uso de munição calibre 9 milímetros, motocicletas e ataques direcionados contra pessoas específicas.
Em diferentes investigações também surgiram relatos sobre uma possível disputa entre grupos criminosos.
A Polícia Civil apura essas informações e trabalha para esclarecer quais dos crimes possuem relação entre si, além de identificar os responsáveis pelos ataques e as possíveis motivações.
Fonte: Campo Grande News