Além disso, fez uma infinidade de outros bicos ao longo de anos. O último deles foi de garçom, em uma festa de formatura de uma turma de Medicina, em dezembro de 2024
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João Vitor, filho de uma auxiliar de serviços gerais e de um cuidador de idosos que se formou em Enfermagem aos 45 anos, sempre teve a certeza de que conseguiria ingressar em Medicina em uma universidade pública de Campo Grande. Mesmo sem condições de pagar um cursinho, estudou sozinho durante oito anos após concluir o ensino médio, dedicando-se mais intensamente nos últimos seis anos.
Sem muitos recursos, João contou com materiais emprestados e até encontrou um livro de Física em um terminal de ônibus, que foi essencial em sua jornada. Além disso, investiu cerca de R$ 35 por mês na plataforma Aprovatotal, do professor Jubilu, cujas aulas de Biologia foram fundamentais. Seu esforço o levou a conquistar uma das sete vagas destinadas a negros e egressos de escolas públicas de baixa renda na UFMS.
Apesar da dedicação, João nunca se considerou um “CDF”. Ele tentava estudar pelo menos cinco horas por dia, mas, na prática, conseguia entre duas e três horas. Nos fins de semana, contava com o apoio da namorada, formada em Direito e funcionária da Procuradoria-Geral do Estado, que também segue estudando para ser defensora pública.
Além dos estudos, João mantinha uma rotina disciplinada, jogando futebol e frequentando a academia, mas raramente saía. Seu maior desafio sempre foi Matemática, o que reduzia suas chances pelo Enem. No entanto, sua excelente redação, que rendeu 800 pontos na avaliação rigorosa da Fapec, foi decisiva para sua aprovação.
A mãe de João, Meire Santos, comemorou nas redes sociais, mas preferiu não dar entrevista, destacando que o mérito era do filho. No entanto, o exemplo dela e do marido foi crucial para sua conquista. Aprovado no vestibular, João precisou passar por uma série de avaliações para validar sua vaga como cotista antes de confirmar sua matrícula.
Agora, João Vitor se prepara para o primeiro dia de aula em 10 de março e busca bolsas de estudo para conseguir se manter durante os seis anos do curso, já que morar fora de Campo Grande nunca foi uma opção viável. Sua história é um exemplo de determinação, superação e do impacto da educação na transformação de vidas.
Fonte: Correio do Estado