O objetivo é entender como o aumento do gás carbônico pode afetar a floresta e a vida de milhões de pessoas

Cientistas instalaram no coração da Amazônia uma estrutura inédita para simular as condições climáticas previstas para as próximas décadas. O experimento busca compreender como o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera pode impactar a maior floresta tropical do planeta e, consequentemente, a vida de milhões de pessoas.
A estrutura, conhecida como AmazonFACE, é formada por seis grandes anéis com cerca de 30 metros de diâmetro, compostos por torres de aproximadamente 40 metros de altura. Instalado em uma área localizada a cerca de 100 quilômetros de Manaus, o sistema libera CO₂ diretamente na copa das árvores, recriando as condições atmosféricas esperadas para daqui a 30 ou 50 anos.
Segundo os pesquisadores, o objetivo é observar como a floresta reage ao aumento do gás carbônico em um ambiente natural, sem interferir nas demais características do ecossistema. Dentro dos anéis, os cientistas acompanham desde a fotossíntese das árvores até o desenvolvimento das raízes, reunindo informações fundamentais sobre o funcionamento da floresta.
Todos os dados coletados são enviados para computadores que simulam cenários futuros e ajudam a prever os impactos das mudanças climáticas em grandes áreas da Amazônia. O projeto é coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com instituições brasileiras e o governo do Reino Unido.
Uma das principais preocupações dos pesquisadores é que o aumento da concentração de CO₂ reduza a quantidade de água liberada pelas árvores na atmosfera por meio da transpiração. Essa alteração pode comprometer o ciclo das chuvas e provocar mudanças significativas no clima em diversas regiões do país.
Os cientistas destacam que compreender como a Amazônia responderá às mudanças climáticas é essencial para a criação de políticas públicas voltadas à preservação da floresta e ao enfrentamento dos impactos ambientais. Além de sua importância para a biodiversidade, a Amazônia produz grande parte da umidade que abastece os chamados “rios voadores”, responsáveis por levar chuva ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, influenciando a agricultura, a geração de energia e o abastecimento de água.