Instrumento de cerca de 50 anos, carregado de história e memória afetiva, ganha nova vida pelas mãos de João Alves Melquiades e emociona família em Camapuã

Um violão de aproximadamente meio século, carregado de lembranças, histórias e emoção, ganhou uma nova vida após passar por um delicado e minucioso processo de restauração realizado pelo camapuanense João Alves Melquiades, hoje com 64 anos. Reconhecido na região como um verdadeiro gênio da música, João foi o responsável por recuperar o instrumento que pertenceu ao patriarca da família Oliveira Silva, transformando o trabalho técnico em um gesto de respeito à memória e ao sentimento.
O violão, da tradicional marca brasileira Tonante, possuía um valor que vai muito além de qualquer cifra financeira. Segundo a família, o instrumento acompanhou diferentes momentos da vida do pai, falecido em 2024, e foi também o primeiro violão de outros músicos, que aprenderam a tocar utilizando o mesmo exemplar. “Esse violão não tem preço”, destacou Deosdene Oliveira, filho do antigo dono, que foi pessoalmente buscar o instrumento após a restauração.

O trabalho realizado por João exigiu precisão, sensibilidade e profundo conhecimento musical. Uma das laterais do violão estava bastante danificada e precisou ser reconstruída cuidadosamente. A pintura foi refeita com atenção aos detalhes, enquanto a parte inferior recebeu um material extremamente fino, justamente para preservar a acústica e não interferir no timbre original do instrumento. Todo o processo teve como prioridade manter a identidade sonora do violão.
Além disso, João optou por manter os braços originais, assim como a marca do instrumento e até mesmo o papel interno colado dentro do corpo do violão, preservando a originalidade e a história do objeto. O resultado foi um violão completamente restaurado, em perfeito estado, mantendo o som encorpado e característico que atravessou gerações.

Ao receber o violão, Deosdene Oliveira não escondeu a emoção. Ele relatou à equipe que ficou impressionado com a qualidade do serviço e com o cuidado empregado em cada detalhe. Para ele, mais do que um instrumento musical, o violão representa a presença do pai, a memória da família e uma herança afetiva que seguirá viva. Em tom de brincadeira, João comentou que, da forma como foi restaurado, o violão “tem tudo para durar mais 50, talvez até mais de 100 anos”.
A restauração reforça por que João Alves Melquiades é considerado um gênio da música. Além de restaurar instrumentos, ele também os constrói do zero, incluindo uma harpa artesanal, um dos instrumentos mais complexos da música. Autodidata, João domina o violão, a sanfona e outros instrumentos de cordas, possuindo um ouvido extremamente apurado e um dom raro para compreender e preservar o som original de cada peça.
Camapuanense de origem, João atualmente mora em Figueirão, onde desenvolve um importante trabalho social, dando aulas de música para crianças por meio da Prefeitura Municipal. Seu talento, aliado à sensibilidade humana, faz com que cada instrumento que passa por suas mãos carregue não apenas técnica, mas também alma, história e respeito.
A restauração deste violão de meio século não é apenas a recuperação de um objeto antigo, mas a preservação de memórias, de laços familiares e da própria história da música regional. Um trabalho que emociona, inspira e reafirma que, nas mãos certas, a música nunca morre — ela apenas se renova.
